Manual do usuário · Capítulo 9

Posições de patrimônio

Este capítulo descreve o Fólio Invest na versão 0.62.3. Se o seu app estiver em outra versão, um detalhe de tela ou de comportamento pode ser diferente.

No app: Patrimônio → Gerenciar posições
Neste capítulo
  1. Por que essa tela existe
  2. As classes disponíveis
  3. O que dá para fazer aqui
  4. Como cadastrar uma posição nova
  5. Como lançar o saldo do mês
  6. Como encerrar uma posição (resgate)
  7. A tela principal, bloco a bloco
  8. O que costuma confundir
  9. O que esta tela NÃO faz

Para que serve

guarda os investimentos que não têm preço de tela — fundos, CDB, Tesouro, LCI, LCA, CRA, CRI, previdência e saldo em conta — e acompanha o saldo deles mês a mês.

Como chegar: aba PatrimônioGerenciar posições de patrimônio.

Conteúdo fiscal verificado

Conteúdo fiscal verificado em 28/07/2026 nas fontes oficiais — lei, instrução normativa e as Perguntas e Respostas do IRPF. Valores marcados com ⏳ mudam de ano em ano; revisão prevista até 31/01/2027.

Por que essa tela existe#

Uma ação tem cotação pública: o app busca e pronto. Um CDB do seu banco não tem. Então aqui você informa o saldo periodicamente, e o app usa esse número no seu patrimônio e no relatório do IRPF.

As classes disponíveis#

Fundo, CDB, Tesouro, CRA, CRI, LCI, LCA, Previdência, Caixa (conta), e — para posições em dólar — Treasury US, CD e Corporate Bond.

O que dá para fazer aqui#

  1. Ver o total do patrimônio manual no mês escolhido.
  2. Trocar o mês pelo botão de mês, no topo.
  3. Ver a alocação por classe.
  4. Abrir uma classe e ver as posições.
  5. Abrir uma posição e lançar saldos, aportes ou o encerramento.
  6. Cadastrar uma posição nova.
  7. Importar saldos de um arquivo.

Como cadastrar uma posição nova#

  1. Toque em Nova posição (botão azul, rodapé).
  2. Escolha a classe nos chips.
    • Se escolher Previdência, escolha também PGBL ou VGBL.
  3. Escolha a moeda: R$ ou US$.
  4. Instituição (ex.: o banco ou a corretora) e Nome do ativo.
  5. Valor aplicado e Data de aplicação.
  6. Opcional: vencimento, indexador (CDI, IPCA+…), observação.
  7. Toque em Salvar posição.

Em posições em reais aparece o interruptor "Registrar também um aporte de R$ X", ligado por padrão. Ele cria, junto, um aporte do mesmo valor — assim o seu total de aportes fica correto sem você lançar duas vezes. O aporte criado fica editável na lista de Aportes.

Em posições em dólar o app não cria o aporte sozinho: ele mostra um lembrete para você registrar o aporte em US$ na tela de Aportes.

Previdência: o que eu coloco em "Valor aplicado"?#

Os prêmios já pagos, que estão no informe da seguradora — não o saldo atual. Os aportes que você vincular ao plano somam a esse valor.

PGBL e VGBL vão para lugares diferentes na declaração#

Escolher entre os dois não é rótulo: define para onde o plano vai no IRPF, e são fichas distintas com lógicas opostas.

PGBL (e Fapi)VGBL
FichaPagamentos Efetuados, código ⏳ 36Bens e Direitos, grupo ⏳ 99 / código ⏳ 06
É Bem e Direito?NãoSim
O que se declaraas contribuições pagas no anoos prêmios pagos, valor histórico acumulado
Dedução na entradasim, até ⏳ 12% do rendimento tributável, só no modelo completonão
O que tributa no resgateo valor totalsó o rendimento

A lógica que amarra a tabela: no PGBL você já deduziu na entrada, então o resgate inteiro tributa. No VGBL não houve dedução, então só o ganho tributa. É a mesma razão pela qual o PGBL não é Bem e Direito e o VGBL é.

⚠️ No VGBL, o valor a declarar é o dos prêmios pagos — nunca o saldo de mercado. A regra é explícita: informe os saldos acumulados dos valores históricos dos prêmios, em 31/12, independentemente do valor atual, com correção.

Declarar pelo saldo não é imprecisão inocente: o saldo sobe pela rentabilidade, a rentabilidade não é tributada ano a ano, e a malha cruza evolução patrimonial com rendimentos declarados. Patrimônio subindo sem renda que o explique é exatamente o que ela procura.

É por isso que o campo Valor aplicado pede os prêmios já pagos, do informe da seguradora — e por isso vincular os aportes ao plano importa: eles somam a esse valor. Sem os aportes vinculados, o PGBL perde a dedução do ano em silêncio, e o VGBL fica declarado só pelo prêmio inicial.

O câmbio fiscal das posições em dólar#

Uma posição em dólar tem duas cotações diferentes, e elas não se confundem:

  • o dólar médio da sua carteira, que é gestão — quanto o dólar te custou de fato, com IOF e taxas;
  • o câmbio fiscal da aplicação, que é só para o imposto: é ele que trava, em reais, o custo de aquisição que vai para Bens e Direitos e serve de base do ganho quando você resgatar.

Mudar o câmbio fiscal não mexe na rentabilidade que o app exibe. E mudar o dólar médio não mexe no imposto.

⚠️ Uma divergência que preferimos declarar. Para o custo de aquisição, a Receita manda usar a cotação de venda do dólar na data do fato gerador. O Fólio usa a cotação de compra — é o que as corretoras internacionais usam nos informes, e alinhar com elas evita que o número do app pareça errado quando você compara os dois. A diferença é da ordem do spread entre as duas pontas, algo como ⏳ 0,02%, e o alinhamento com a letra da norma está em curso.

Se esse valor for material para você, use a cotação de venda da data — o campo é editável — e confirme com um contador.

Como lançar o saldo do mês#

  1. Toque na classe para abrir e depois na posição.
  2. Você entra na tela Saldos da posição.
  3. Toque em Adicionar saldo do mês.
  4. Escolha mês e ano, informe o saldo de fechamento e salve.

A lista SALDOS MENSAIS · Δ = GANHO DO MÊS mostra cada competência e a variação em relação ao mês anterior.

O Δ (delta) é o meu rendimento?#

Não exatamente. O app avisa na própria tela: "Δ bruto: pode misturar rendimento com aporte/resgate." Se você aportou naquele mês, parte do Δ é dinheiro novo, não rendimento.

Em fundos, qual valor eu informo?#

O valor líquido que caiu na conta / o saldo líquido. A tela avisa que fundos têm come-cotas (a antecipação semestral de imposto que reduz a quantidade de cotas), então o saldo bruto não é o número certo.

Por que o app pede o valor líquido nos fundos#

Fundos abertos de renda fixa e multimercado têm come-cotas: o Fisco cobra o imposto por antecipação, duas vezes por ano — nos últimos dias úteis de ⏳ maio e ⏳ novembro —, sem esperar você resgatar. É por isso que se chama assim: a cobrança come cotas do seu saldo. A quantidade de cotas diminui; o valor de cada cota, não.

Consequências práticas:

  • O saldo do extrato já vem líquido do que foi antecipado. É esse o número certo, e é o que o app pede.
  • No resgate você não paga tudo de novo. A instituição cobra só a diferença entre a alíquota final, que depende do prazo, e o que já foi antecipado.
  • O app não calcula o imposto de fundo, e por isso pede o líquido creditado na conta no encerramento: sem saber quanto de come-cotas já foi retido ao longo dos anos, calcular o IR do resgate produziria um número errado com cara de certo.

Nem todo fundo tem come-cotas. FII, Fiagro e fundos de ações não têm — neles o imposto só aparece na venda ou no resgate.

O ETF de renda fixa tem, ao contrário do ETF de ações — a mecânica acima vale para ele. Ver Operações.

No Relatório anual, o rendimento de fundo entra na Tributação Exclusiva, código ⏳ 06. Confira sempre com o informe da instituição: é ele que traz o que foi retido.

Como encerrar uma posição (resgate)#

No rodapé da tela de detalhe da posição há a opção Encerrar posição (resgate).

  • Encerrar tira a posição do patrimônio, mas mantém o histórico — importante para as declarações de anos anteriores.
  • Há a opção Usar o saldo mais recente para preencher o valor.
  • Deixe o valor em branco se não houve resgate financeiro.
  • O app pergunta PARA ONDE FOI O DINHEIRO — responda, senão o seu patrimônio aparece menor do que a realidade.

Encerrar é diferente de excluir. Se você excluir, some tudo, inclusive o histórico de saldos. O próprio app avisa: prefira encerrar.

Encerrar uma posição em dólar é um resgate para o imposto#

Aqui está a diferença que mais surpreende: em posição no exterior, encerrar já é fato gerador — mesmo que você não saque nada. A lei coloca o imposto no resgate, na amortização, na alienação, no vencimento ou na liquidação da aplicação. Nenhuma dessas palavras exige que o dinheiro venha para o Brasil, nem que saia da corretora.

Então: o Treasury venceu e o dinheiro ficou parado na conta da corretora lá fora? Apurou. Você resgatou o CD para comprar ações no mesmo dia? Apurou. O que a lei tributa é a saída do investimento, não a chegada do dinheiro.

É por isso que o formulário de encerramento em dólar exige a PTAX: sem a cotação não há como converter o resgate em reais, e sem isso não há apuração.

O que o app calcula, e como#

Ele compara o valor resgatado, convertido em reais pela cotação da data do resgate, com o custo em reais daquela posição — a soma do que você aplicou, cada aporte convertido pelo câmbio da sua própria data. A diferença é o rendimento tributável a ⏳ 15%, e ela já inclui a variação cambial sobre o principal: a lei diz isso com todas as letras. Diferença negativa é perda, e perda no exterior compensa — ver IR / DARF.

Num resgate parcial, o custo baixa na mesma proporção do que saiu. Para calcular essa proporção o app precisa saber quanto a posição valia imediatamente antes — e é aí que o saldo mensal deixa de ser opcional.

⚠️ Sem saldo lançado, o app não calcula — e avisa. Ele não abate custo e não apura rendimento. A consequência é assumida e visível: o valor em Bens e Direitos fica maior do que o real. É o lado seguro. Chutar o denominador produziria baixa de custo maior que a devida e imposto a menor. Lance o saldo do mês anterior à saída e o app recalcula sozinho.

O que ele não calcula, e por quê#

  • Posição de caixa (conta) em dólar não apura ganho, porque a variação cambial de depósito não remunerado é isenta. Encerrar uma conta dessas não gera imposto.
  • Previdência não é apurada aqui. O imposto é retido pela seguradora, que aplica o prazo de acumulação de cada aporte. O app aponta a ficha e a base; o número vem do informe.

Encerrar ≠ excluir#

Encerrar tira a posição do patrimônio e mantém o histórico — que é o que sustenta as declarações de anos anteriores e o custo dos anos seguintes. Excluir apaga tudo. Para o Fisco, encerrar é o registro; excluir é perder a prova. Guarde os informes de qualquer forma: o ônus de comprovar aquisição e alienação é seu.

A tela principal, bloco a bloco#

  • Botão de mês no topo: rege a tela inteira. Só aparece quando há saldo lançado.
  • PATRIMÔNIO MANUAL · <mês> — o total, com a nota "É o que entra no seu Patrimônio" e a linha Aportado (líquido).
  • Barra de alocação por classe, quando há mais de uma.
  • Blocos por região (Brasil e internacional), com a bandeira da moeda.
  • Dentro de cada bloco, as classes; dentro delas, as posições.

Cada posição mostra a instituição e o mês do último saldo. Quando não há saldo, aparece "Sem saldo lançado — toque para adicionar". Posições encerradas levam a etiqueta ENCERRADA.

O que costuma confundir#

"Saldo" e "Aportado" são coisas diferentes. Saldo é quanto vale hoje. Aportado é quanto você colocou. A diferença é o rendimento.

O saldo não se atualiza sozinho. Se você não lançar, o app repete o último saldo conhecido — e a rentabilidade do Patrimônio aparece menor do que a real. É essa a causa do aviso "Saldo desatualizado" em Patrimônio.

Previdência sem PGBL/VGBL não entra na declaração. O Relatório de IRPF avisa em âmbar quando isso acontece.

O que esta tela NÃO faz#

  • Não busca saldo em banco nem corretora.
  • Não calcula rendimento de renda fixa a partir do indexador — o campo "Indexador" é só uma anotação.
  • Não aceita ações, FIIs nem ETFs: isso é Operações.

Manual do usuário do Fólio Invest — descreve o comportamento do app na versão indicada no topo. Conteúdo informativo e educativo: não é consultoria tributária, contábil ou de investimentos, não é recomendação de compra, venda ou manutenção de qualquer ativo, e não substitui a orientação de um profissional para o seu caso concreto. Quando o capítulo traz regra tributária, ela foi verificada nas fontes oficiais na data indicada no próprio capítulo. A responsabilidade pela declaração é do contribuinte.